[ Eu ]

24 08 2006

Eu não pretendo deixar marca.

Eu já não quero nada.

Com os anos, com os pontapés inesperados que levei, percebi que estes 23 anos são uma soma de acasos, circunstâncias e momentos.

Afinal, não foram planificados nem estrategicamente cumpridos, foram vividos dia a dia acreditando, amando, sofrendo, lutando, desejando e deixando de acreditar.

A única noção que fica do que foi feito, do que fiz é o prazer ,de que dei o melhor daquilo que fui capaz de fazer e dar de mim. E é nesta ideia que reside a vida após estes anos. Os sacrifícios, os deveres, as lutas, os prazeres, os sofrimentos, os direitos e os deveres. Acreditando que a seguir vem o melhor. Não cair na tentação de aguardar e de ficar à espera e não correr tal como fazia à muito tempo atrás, quando a vida e o mundo ainda eram uma folha em branco à espera que eu a preenche-se. Passados estes anos, esta vida. Nem um traço. Nem uma palavra. A folha continua em branco e eu sem saber o que fazer, nem sei, se o meu plano “b” que está guardado resultará algum dia ou se será mesmo usado…mas para quê um plano “b”, se nunca existiu um plano principal.

dover
João Almeida


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